sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Olhar as Pedras: da Geologia à Arqueologia (2ª Edição)















Metáfora de Romeu e Julieta
Simbolizando a Geologia e a Arqueologia

"No primeiro dia ouvi a expressão "casamento entre arqueologia e geologia". Apesar de ser facilmente perceptível que estas duas ciências estão intimamente ligadas, ao fim desse mesmo dia dei por mim a pensar na diferente escala temporal de ambas.

Percebi que o Senhor geologia era demasiado velho para pedir a mão à menina Arqueologia. Não foi pois um casamento fácil e convencional. Ouve quem se opôs fortemente à união que para todos os efeitos era um atentado ao bom nome, mas o amor continuou a cristalizar todas as imperfeições e demais impurezas à volta. O Sr. Geologia mais experiente protegeu a Arqueologia ainda muito ingénua e tenra como o percutor de chifre que encontrei. A menina foi então crescendo e desafiando limites para si mesma, cometendo erros com teorias que depois eram desmentidas mas que serviam para aprender, dada a sua humildade em admitir os mesmos, tão raro nos dias de hoje…

Com o passar dos anos "arqueológicos" e os microsegundos geológicos, ela foi percebendo que mudara, estava muito mais madura e evidenciava já sinais de maturação da cor e pigmento da tinta a cal. A arqueologia sabia que devia tudo o que era ao seu amor geológico que afinal de contas havia criado as condições necessárias ao seu aparecimento e desenvolvimento. Mas ao fim de um tempo ela começou a querer emancipar-se dele, pois achava que já era suficiente capaz de sobreviver sozinha e não necessitava do seu Sr. Geologia, de quem ela já estava um pouco farta. Afinal ele passava a vida a dizer-lhe que ela era muito imatura, que tinha atitudes infantis, enfim, ela estava cansada. Então a Arqueologia começou a ter uns affairs com a Química e a História, o que deixou o Sr. Geologia furioso, levando a uma separação tumultuosa. Mas ele ainda amava a sua linda menina, triste e abandonado tentou várias reaproximações que resultaram em reacendimentos do amor momentâneo bem como em desastres com pedras, martelos e artefactos destruídos. E portanto ainda hoje esporadicamente continuam a encontrar-se para aprender mutuamente com os seus erros. Esperamos nós, seus filhos herdeiros arqueólogos e geólogos, que eles rapidamente se entendam pois nenhum filho gosta de ver os pais separados".

Este texto de autoria de Sandra Marques (aluna de 2º ano de Arqueologia na Universidade Nova de Lisboa) surge como um resumo de uma Semana em Estremoz, no âmbito da 1ª edição do curso "Olhar as Pedras: da Geologia à Arqueologia".

Este ano a decorrer entre os dias 15 e 19 de Novembro, no Polo de Estremoz da Universidade de Évora