sexta-feira, 18 de março de 2011

Territórios Megalíticos: Reguengos de Monsaraz - Olival da Pega 2

A anta 2 do Olival da Pega encontra-se a cerca de 300m da anta 1, e foi registada pelo casal Leisner (Leisner e Leisner, 1951).
À data apenas era visível a grande câmara (3,40m X 4m de diâmetro), com o chapéu in situ. Do corredor, não havia grandes evidências "talvez ainda existam restos por baixo do tumulus...", referem. (p.252). Anotam, ainda, a presença de lajes de xisto espalhadas pela superfície de tumulus.














Este monumento, que não escavam por considerarem que "...em face dos suportes fracos do chapéu, não se partindo este, teria sido demasiado perigosa" e também por não quererem destruír "um dos mais belos monumentos do concelho" (p. 252) viria a revelar-se, décadas mais tarde, como um dos mais importantes monumentos megalíticos do concelho de Reguengos de Monsaraz, escavados no séc. XX.
De facto, no início da década de 90, Victor Gonçalves, no âmbito de um projecto de investigação que visava proceder a uma reavaliação do megalitismo desta área, inicía a escavação da anta 2 do Olival da Pega.



















Os resultados deste trabalho foram, em tudo, inesperados: a um corredor muito longo, conservado (cerca de 16m de comprimento) associavam-se 4 outras estruturas funerárias (tholoi e uma sepultura), a Norte e a Sul, que se ligavam ao corredor da anta. (Gonçalves, 1999). Para além da grande diversidade arquitectónica presente nos 4 monumentos, existia ainda outra peculiariedade: os 2 primeiros esteios do corredor eram de xisto e apresentavam dezenas de covinhas.



Vista geral no final da campanha de 1992 (Gonçalves, 1999: 93)

OP2d: antes e depois da escavação (Gonçalves, 1999: 97)





















Planta final (Gonçalves, 1999: 92)

De OP2b (tholos) foi recolhido abundante espólio: restos osteológicos; lâminas de sílex, chert e riolite; lamelas de quartzo hialino; pontas de seta; pontas de dardo; alabardas; artefactos de pedra polida; alfinetes de cabeça; contas de colar; cerâmica; punhal de cobre, 1 estatueta de raposa em osso; placas de xisto e báculos. (Gonçalves, 1999: 94)




Algum do espólio recolhido (Gonçalves, 1999)